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Uma mulher vai comandar o Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba

Próxima coordenadora geral será oitava a dirigir a entidade.

Escrito por: Manoel Ramires • Publicado em: 05/07/2018 - 14:04 • Última modificação: 05/07/2018 - 14:17 Escrito por: Manoel Ramires Publicado em: 05/07/2018 - 14:04 Última modificação: 05/07/2018 - 14:17

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No segundo dia de eleição, uma coisa já é certa: o Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc) continuará sendo comandado por uma mulher. As duas chapas inscritas indicaram para a coordenação-geral pessoas do movimento feminista. Mais do que isso, ambas as chapas são formadas em sua maioria por mulheres. Reflexo de uma base de servidoras municipais. Em Curitiba, cerca de 80% da categoria é formada pelo sexo feminino. A próxima coordenadora-geral será a oitava a assumir a entidade que completa 30 anos em 2018.

A primeira presidenta do Sismuc foi Maria Madalena Amaral, em 1988, quando o sindicato foi fundado. A segunda na função foi Mônica Giovannetti, que assumiu o cargo já com uma inovação. No começo da década de 1990, a chapa eleita promoveu uma rotatividade na presidência. Mônica sucedeu o companheiro Ludimar Rafanhim, que abriu mão da presidência em nome do rodízio. Ela ficou a frente em 1993 e 1994. Para Mônica, não é possível identificar qualquer tipo de preconceito ou desconfiança na base por ela ser mulher.
 

“Não percebi nenhum tipo de preconceito ou desconfiança por ser mulher. Acho que se houve algum tipo de desconfiança (e houve) foi mais por questões políticas do que de gênero. Nossa categoria é composta por algo em torno de 80% de mulheres, então é esperado que tenhamos uma representação maior de mulheres. Se teve, realmente não percebi nenhum tipo de preconceito”, avalia.
 

Desigualdade salarial

Talvez por isso, as duas candidatas a coordenadoria geral são mulheres. Juliana Mildemberg e Christiane Izabella Schunig pertencem à educação, que é uma das maiorias categorias da Prefeitura de Curitiba, junto com a saúde e a assistência social. Quem for eleita tem um difícil quadro a enfrentar. Muito além do Pacotaço que congelou salários em 2017, historicamente, as mulheres recebem 26% a menos que os homens no município. De acordo com levantamento do Livre.jor, a média salarial das mulheres no serviço público da capital é de R$ 4,3 mil, cerca de R$ 1,5 mil a menos que a média masculina, de R$ 5,8 mil.
 

“Os dados revelam que as mulheres representam a maior parte do quadro de servidores da Prefeitura de Curitiba. Dos pouco mais de 30 mil funcionários, 80% são mulheres, aproximadamente de 25 mil. A média salarial das servidoras é R$ 300 menor que a média total das remunerações”, apurou o Livre.jor.


Outro desafio da próxima chapa é combater o machismo dentro e fora do serviço público. Primeira coordenadora de mulheres do sindicato, Maria Aparecida Martins dos Santos conta que “apesar do avanço nas legislações para coibir a violência contra as mulheres, como a Lei do Feminicídio e a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), o Brasil ainda figura como o quinto país que mais mata mulheres no mundo. Segundo dados dos Ministérios Públicos estaduais, entre março de 2016 e março de 2017, foram registrados 2925 casos de feminicídios no Brasil”, protesta.


Prefeito machista

A situação se torna mais grave quando o próprio poder público é omisso no combate ao machismo e ao feminicídio. O prefeito Rafael Greca (PMN) disse, durante a campanha eleitoral, que as mulheres não precisam ir para a luta, mas apenas serem amadas. Ao assumir, ele simplesmente acabou com a secretaria das mulheres. No fim de 2017, o movimento feminista se reuniu com vereadoras para cobrar a retomada da pasta, bem como de políticas voltadas para as mulheres.


“As vereadoras assumiram o compromisso de marcar uma reunião com o prefeito para reivindicar um espaço específico para as mulheres. Em fevereiro ela vão defender junto ao prefeito um espaço específico para encaminhar as políticas públicas, entregando ao Executivo um modelo descentralizado de coordenadoria. Nós, do movimento feminista e de mulheres, defendemos a criação de uma secretaria específica para as mulheres, mas neste momento estamos fazendo um recuo tático para garantir direitos”, pontuou, Elza Campos, coordenadora estadual de Formação da União Brasileira de Mulheres. No entanto, essa reunião nunca aconteceu.
 

É apenas mais um indício de como a Prefeitura de Curitiba recuou na proteção social. Também em 2017, após um episódio de agressão a uma servidora em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Greca apontou como solução “colocar recepcionalistas mais bonitas”. O episódio revoltou as servidoras, levando o sindicato a fazer a campanha: “Não aceito nenhum tipo de violência”.




Para Marilena Silva, que presidiu o Sismuc em 2003 e atualmente é assessora da vereadora professora Josete, a postura machista não surpreende. Ele ainda destaca a necessidade de as servidoras e servidores lutarem em diversos espaços e frentes.


“O executivo de plantão despreza as conquistas do movimento de mulheres e o faz não somente desmontando secretarias voltadas à política pública para mulheres, mas expressa a insensibilidade com a temática apoiando com sua base na câmara municipal projetos de lei que contrariam a distinção para a mudança cultural no debate a diversidade no plano municipal de educação (a extinção da palavra gênero no PNE). Também o faz quando desmonta as propostas que traziam avanços no atendimento a população em situação de rua como a casa de acolhimento LGBT. Por último e mais recente propõe fechar serviços que estão vinculados a proteção e a vigilância social (CRAS) o que significa que a parcela mais vulnerável (incluindo majoritariamente as mulheres e seus filhos) da sociedade encontra no gestor público ainda mais barreiras para superar as adversidades que a sociedade lhe impõe”, revela a servidora da FAS e ex-presidente.

Da presidência à coordenação geral

Desde 2012, o Sismuc não possui mais a figura de presidência, substituindo pela coordenação geral. O modelo foi adotado para compartilhar as responsabilidades de que preside a entidade com os demais membros da chapa eleita. Para Marcela Bomfim, que foi a última presidenta do Sismuc em 2009 e atualmente é servidora do magistério de Curitiba, o empoderamento coletivo já era uma tendência. “De fato o Sismuc sempre foi um colegiado por acreditar neste princípio. Não se faz necessário um presidencialismo”, comenta.

Mulheres no comando

Maria Madalena | 1988
Mônica Giovanetti | 1993
Marilena Silva | 2003
Irene Rodrigues | 2006
Marcela Bomfim | 2009
Ana Paula Cozzolino | 2012
Irene Rodrigues | 2015

Título: Uma mulher vai comandar o Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba, Conteúdo: No segundo dia de eleição, uma coisa já é certa: o Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc) continuará sendo comandado por uma mulher. As duas chapas inscritas indicaram para a coordenação-geral pessoas do movimento feminista. Mais do que isso, ambas as chapas são formadas em sua maioria por mulheres. Reflexo de uma base de servidoras municipais. Em Curitiba, cerca de 80% da categoria é formada pelo sexo feminino. A próxima coordenadora-geral será a oitava a assumir a entidade que completa 30 anos em 2018. A primeira presidenta do Sismuc foi Maria Madalena Amaral, em 1988, quando o sindicato foi fundado. A segunda na função foi Mônica Giovannetti, que assumiu o cargo já com uma inovação. No começo da década de 1990, a chapa eleita promoveu uma rotatividade na presidência. Mônica sucedeu o companheiro Ludimar Rafanhim, que abriu mão da presidência em nome do rodízio. Ela ficou a frente em 1993 e 1994. Para Mônica, não é possível identificar qualquer tipo de preconceito ou desconfiança na base por ela ser mulher.   “Não percebi nenhum tipo de preconceito ou desconfiança por ser mulher. Acho que se houve algum tipo de desconfiança (e houve) foi mais por questões políticas do que de gênero. Nossa categoria é composta por algo em torno de 80% de mulheres, então é esperado que tenhamos uma representação maior de mulheres. Se teve, realmente não percebi nenhum tipo de preconceito”, avalia.   Desigualdade salarial Talvez por isso, as duas candidatas a coordenadoria geral são mulheres. Juliana Mildemberg e Christiane Izabella Schunig pertencem à educação, que é uma das maiorias categorias da Prefeitura de Curitiba, junto com a saúde e a assistência social. Quem for eleita tem um difícil quadro a enfrentar. Muito além do Pacotaço que congelou salários em 2017, historicamente, as mulheres recebem 26% a menos que os homens no município. De acordo com levantamento do Livre.jor, a média salarial das mulheres no serviço público da capital é de R$ 4,3 mil, cerca de R$ 1,5 mil a menos que a média masculina, de R$ 5,8 mil.   “Os dados revelam que as mulheres representam a maior parte do quadro de servidores da Prefeitura de Curitiba. Dos pouco mais de 30 mil funcionários, 80% são mulheres, aproximadamente de 25 mil. A média salarial das servidoras é R$ 300 menor que a média total das remunerações”, apurou o Livre.jor. Outro desafio da próxima chapa é combater o machismo dentro e fora do serviço público. Primeira coordenadora de mulheres do sindicato, Maria Aparecida Martins dos Santos conta que “apesar do avanço nas legislações para coibir a violência contra as mulheres, como a Lei do Feminicídio e a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), o Brasil ainda figura como o quinto país que mais mata mulheres no mundo. Segundo dados dos Ministérios Públicos estaduais, entre março de 2016 e março de 2017, foram registrados 2925 casos de feminicídios no Brasil”, protesta. Prefeito machista A situação se torna mais grave quando o próprio poder público é omisso no combate ao machismo e ao feminicídio. O prefeito Rafael Greca (PMN) disse, durante a campanha eleitoral, que as mulheres não precisam ir para a luta, mas apenas serem amadas. Ao assumir, ele simplesmente acabou com a secretaria das mulheres. No fim de 2017, o movimento feminista se reuniu com vereadoras para cobrar a retomada da pasta, bem como de políticas voltadas para as mulheres. “As vereadoras assumiram o compromisso de marcar uma reunião com o prefeito para reivindicar um espaço específico para as mulheres. Em fevereiro ela vão defender junto ao prefeito um espaço específico para encaminhar as políticas públicas, entregando ao Executivo um modelo descentralizado de coordenadoria. Nós, do movimento feminista e de mulheres, defendemos a criação de uma secretaria específica para as mulheres, mas neste momento estamos fazendo um recuo tático para garantir direitos”, pontuou, Elza Campos, coordenadora estadual de Formação da União Brasileira de Mulheres. No entanto, essa reunião nunca aconteceu.   É apenas mais um indício de como a Prefeitura de Curitiba recuou na proteção social. Também em 2017, após um episódio de agressão a uma servidora em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Greca apontou como solução “colocar recepcionalistas mais bonitas”. O episódio revoltou as servidoras, levando o sindicato a fazer a campanha: “Não aceito nenhum tipo de violência”. Para Marilena Silva, que presidiu o Sismuc em 2003 e atualmente é assessora da vereadora professora Josete, a postura machista não surpreende. Ele ainda destaca a necessidade de as servidoras e servidores lutarem em diversos espaços e frentes. “O executivo de plantão despreza as conquistas do movimento de mulheres e o faz não somente desmontando secretarias voltadas à política pública para mulheres, mas expressa a insensibilidade com a temática apoiando com sua base na câmara municipal projetos de lei que contrariam a distinção para a mudança cultural no debate a diversidade no plano municipal de educação (a extinção da palavra gênero no PNE). Também o faz quando desmonta as propostas que traziam avanços no atendimento a população em situação de rua como a casa de acolhimento LGBT. Por último e mais recente propõe fechar serviços que estão vinculados a proteção e a vigilância social (CRAS) o que significa que a parcela mais vulnerável (incluindo majoritariamente as mulheres e seus filhos) da sociedade encontra no gestor público ainda mais barreiras para superar as adversidades que a sociedade lhe impõe”, revela a servidora da FAS e ex-presidente. Da presidência à coordenação geral Desde 2012, o Sismuc não possui mais a figura de presidência, substituindo pela coordenação geral. O modelo foi adotado para compartilhar as responsabilidades de que preside a entidade com os demais membros da chapa eleita. Para Marcela Bomfim, que foi a última presidenta do Sismuc em 2009 e atualmente é servidora do magistério de Curitiba, o empoderamento coletivo já era uma tendência. “De fato o Sismuc sempre foi um colegiado por acreditar neste princípio. Não se faz necessário um presidencialismo”, comenta. Mulheres no comando Maria Madalena | 1988 Mônica Giovanetti | 1993 Marilena Silva | 2003 Irene Rodrigues | 2006 Marcela Bomfim | 2009 Ana Paula Cozzolino | 2012 Irene Rodrigues | 2015



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