Escrito por: Thiago Marinho

Preço da cesta básica supera valor do salário mínimo em São Paulo

Comer ou pagar o aluguel, a luz, a água? Em São Paulo, essa "escolha de Sofia" já é uma realidade nas casas de trabalhadores e trabalhadoras que dependem do salário mínimo de 1.212 reais.

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Comer ou pagar o aluguel, a luz, a água? Em São Paulo, essa "escolha de Sofia" já é uma realidade nas casas de trabalhadores e trabalhadoras que dependem do salário mínimo de 1.212 reais para sobreviver. Isso porque, de acordo com dados da Fundação Procon de São Paulo, o preço da cesta básica ampliada no mês de maio aumentou 6,83% e superou o minguado valor do salário, atingindo a casa dos 1.382,72 reais. 

A cesta básica ampliada é aquela que, além dos 13 alimentos básicos constantes na versão tradicional, tem ainda outros 28 itens de alimentação e higiene. Ou seja, continua sendo o básico para sobrevivência de uma família, já que higiene também é questão de saúde.

Os produtos de alimentação e limpeza foram os que apresentaram as maiores altas, de 1,70% e 0,36%, respectivamente. Entre os produtos que mais encareceram estão a cebola, o desodorante spray, a salsicha avulsa, o queijo muçarela fatiado e a farinha de mandioca torrada. 

A tendência de desvalorização do salário mínimo vem se mantendo desde que o presidente Jair Bolsonaro (PL) assumiu o governo, em 2019, e deu fim à política que garantia aumento real – e mantinha o poder de compra dos trabalhadores e das trabalhadoras mais pobres, que ganham o piso nacional. Para efeito de comparação, em setembro de 2019, o piso nacional era de 998 reais e comprava uma cesta de 739,07 reais; sobravam 258,93 reais.

Arrocho agravado pela crise – "Estamos vendo um aumento persistente dos produtos da cesta básica, não estamos vendo arrefecimento dessa crise. Não há perspectiva de fim da guerra da Ucrânia e ainda tem a escalada do preço do diesel e do petróleo", antecipa Marcus Vinicius Pujol, diretor de Estudos e Pesquisas do Procon-SP. Com esse arrocho salarial, que impede os trabalhadores de adquirirem mesmo itens básicos, até a inflação fica congelada nos 12% atuais. E engana-se quem pensa que somente os mais pobres sentem os efeitos da economia, já que todos comem e somente a alta no preço dos alimentos já acumula 35% nos últimos três anos. "A inflação está corroendo não só a renda da população mais pobre, mas da classe média também", afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.