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Greve dos servidores de SP chega ao quinto dia e pode ficar ainda maior

Trabalhadores e trabalhadoras reivindicam, principalmente, a revogação da Lei de reforma da Previdência que aumentou a contribuição previdenciária, considerada pelos servidores “um confisco salarial”

Escrito por: Érica Aragão • Publicado em: 08/02/2019 - 17:43 • Última modificação: 08/02/2019 - 18:32 Escrito por: Érica Aragão Publicado em: 08/02/2019 - 17:43 Última modificação: 08/02/2019 - 18:32

ROBERTO PARIZOTTI/CUT .

Contra o confisco de salários, mais de 50 mil servidores públicos municipais decidiram manter a greve, que completou quatro dias nesta quinta-feira (07). A decisão foi tomada na assembleia da categoria, realizada em frente ao prédio da Prefeitura de São Paulo, no centro da capital paulista.

Vigilantes sanitários, professores, médicos, assistentes sociais,  entre outros trabalhadores do serviço público de São Paulo, reivindicam a revogação da Lei da reforma da previdência (Lei nº 17.020/18), que aumentou a contribuição previdenciária de 11% para 14%, estabeleceu o mesmo teto de benefícios de aposentadoria do Regime Geral de Previdência Social (R$ R$ 5.882,93 em 2019) e criou um sistema previdenciário de capitalização para os servidores que ingressarem no funcionalismo – o Sampaprev. 

ROBERTO PARIZOTTIRoberto Parizotti

Sancionada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB-SP), a Lei, que foi aprovada por 33 vereadores liderados por Milton Leite (DEM) a toque de caixa nos últimos dias de 2018, é considerada um verdadeiro confisco de salários pelos servidores públicos de São Paulo.

A diretora do Sindicato dos Médicos de SP, Juliana Salles, que também é membro da Executiva Nacional da CUT, gritou em alto e bom som em direção às janelas da Prefeitura: “Não vamos tolerar que nosso direito à previdência seja retirado nem no município de São Paulo nem no Brasil”.

“Vamos morrer trabalhando! É impossível homens e mulheres trabalharem até 65 anos e, se quiserem receber o benefício completo trabalhar 40 anos direto, como quer o governo Bolsonaro,” disse Juliana se referindo a Proposta de Emenda Constitucional – PEC da reforma da Previdência, que o governo de extrema direita deve encaminhar ao Congresso Nacional até o fim deste mês.

“A nossa luta é pela dignidade”.

ROBERTO PARIZOTTIRoberto Parizotti

O presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, concorda com a dirigente. Ele diz que esse ataque aos servidores na capital paulista é um ensaio para aprovar a reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

“Nós temos a compreensão do que significa a luta dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade de São Paulo. Ela é estratégica para evitar a implementação dessa atrocidade no resto do Estado e no Brasil”.

“E pra nós é estratégico nos unirmos e derrotarmos esse projeto que só prejudica os trabalhadores e a população”, disse Douglas, que complementou: “A CUT tirou uma resolução de apoio aos servidores e todos os sindicatos filiados à Central, com base em SP, estão junto na luta”.

A luta

O Fórum das Entidades Sindicais do Sistema de Negociação Permanente, entre elas o Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (SINDSEP), está pedindo uma revisão geral salarial de 10% para os servidores ativos, aposentados e pensionistas, a valorização dos serviços públicos e dos servidores públicos e o incentivo para o desenvolvimento dos profissionais.

“A população precisa estar esclarecida que há mais de 20 anos a prefeitura aplica uma reposição da inflação a qual todo mundo tem direito, de 0,01%. Isso significa que todo ano nós temos perda de poder aquisitivo. Então aqui ninguém tá lutando pra ter benefícios, pra ter regalia. Nós estamos lutando pra ter o mínimo de dignidade e ter o direito de aposentadoria segurado”, disse Thiago Cavalo.

A professora Elisabete Maciel disse que é um absurdo as mentiras que o prefeito e um segmento da mídia vêm dizendo sobre os servidores.

“Eles estão tentando manipular a população contra nós dizendo que os servidores têm privilégios e ganham mais de 10 mil reais. É uma mentira!”.

“Eles deveriam tirar os privilégios deles, que têm salários de mais de 30 mil, com auxílio moradia e a gente não tem auxílio algum, pelo contrário. Eu tenho é muito desconto no meu salário! Esse governo é superinjusto e eu só vou conseguir revogar esses 14% na rua, lutando!”, finalizou a professora Elisabete.

Várias reuniões entre o movimento grevista, o prefeito e seus representantes já foram cancelas e a justificativa é que eles estão atendendo a população.

“E nós somos o que?”, questionou o presidente do SINDSEP, Sérgio Ricardo Antiqueira.

“Nós queremos ser ouvidos e dizer que o que fizeram em SP é um atentado contra os direitos”, reforçou Sérgio.

Sistema de delação

Para colocar medo nos servidores, segundo o presidente do SINDSEP, o prefeito Bruno Covas implantou um sistema de delação na prefeitura e está pedindo para que os trabalhadores que não aderiram à greve anotem os nomes dos colegas e entreguem a ele.

“Esse tipo de ação é pra colocar medo nos trabalhadores e nas trabalhadoras e ele [o prefeito] achou que isso ia enfraquecer o movimento, muito pelo contrário disse ele”.

Segundo Sérgio, no dia 4 o movimento tinha 20 mil pessoas e nesta quinta (07) mais que dobrou.

“Vamos sair daqui mais fortes ainda. Vai ter que atender os servidores que estão aqui pra lutar! Toda vez que não atende, o movimento cresce. Na próxima assembleia, dia 13, vai ficar maior ainda”, afirmou.

Logo após a assembleia, os servidores foram em caminhada pelo largo São Francisco, Brigadeiro Faria Lima até a Avenida Paulista, em frente ao MASP.

ROBERTO PARIZOTTIRoberto Parizotti 

 

Todo dia é dia de luta 

A próxima assembleia será na quarta feira 13/02, na frente da Prefeitura, às 14 horas. Mas, segundo o SINDSEP, até lá os servidores vão continuar a mobilização para ampliar o movimento.

Já nesta sexta feira (08) houve atos por toda a cidade para denunciar as intenções da prefeitura de SP e do governo federal, de aprovar uma reforma geral da previdência que ameaça a aposentadoria de todo o povo.

Confira os atos regionais convocados para esta sexta (08):

Butantã 17h - estação Butantã do Metrô

Cachoeirinha 8h -Terminal cachoeirinha 

Centro 13h - Estação Vergueiro, Centro Cultural São Paulo

Guaianases 10h - estação nova de trem 

Jabaquara 7h - Terminal Jabaquara  

M'boi 9h - Estrada do Mboi Mirim, 4300

Parelheiros 17h - Terminal Parelheiros 

Santana 14h - Estação Santana do Metrô

São Mateus 16h - Largo de São Mateus 

São Miguel 11h - Praça da Paz com caminhada até Prefeitura Regional

Veja a galeria de imagens da Assembleia dos Servidores Públicos Municipais em SP: (Fotos: Roberto Parizotti)

Título: Greve dos servidores de SP chega ao quinto dia e pode ficar ainda maior, Conteúdo: Contra o confisco de salários, mais de 50 mil servidores públicos municipais decidiram manter a greve, que completou quatro dias nesta quinta-feira (07). A decisão foi tomada na assembleia da categoria, realizada em frente ao prédio da Prefeitura de São Paulo, no centro da capital paulista. Vigilantes sanitários, professores, médicos, assistentes sociais,  entre outros trabalhadores do serviço público de São Paulo, reivindicam a revogação da Lei da reforma da previdência (Lei nº 17.020/18), que aumentou a contribuição previdenciária de 11% para 14%, estabeleceu o mesmo teto de benefícios de aposentadoria do Regime Geral de Previdência Social (R$ R$ 5.882,93 em 2019) e criou um sistema previdenciário de capitalização para os servidores que ingressarem no funcionalismo – o Sampaprev.  ROBERTO PARIZOTTI Sancionada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB-SP), a Lei, que foi aprovada por 33 vereadores liderados por Milton Leite (DEM) a toque de caixa nos últimos dias de 2018, é considerada um verdadeiro confisco de salários pelos servidores públicos de São Paulo. A diretora do Sindicato dos Médicos de SP, Juliana Salles, que também é membro da Executiva Nacional da CUT, gritou em alto e bom som em direção às janelas da Prefeitura: “Não vamos tolerar que nosso direito à previdência seja retirado nem no município de São Paulo nem no Brasil”. “Vamos morrer trabalhando! É impossível homens e mulheres trabalharem até 65 anos e, se quiserem receber o benefício completo trabalhar 40 anos direto, como quer o governo Bolsonaro,” disse Juliana se referindo a Proposta de Emenda Constitucional – PEC da reforma da Previdência, que o governo de extrema direita deve encaminhar ao Congresso Nacional até o fim deste mês. “A nossa luta é pela dignidade”. ROBERTO PARIZOTTI O presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, concorda com a dirigente. Ele diz que esse ataque aos servidores na capital paulista é um ensaio para aprovar a reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro (PSL-RJ). “Nós temos a compreensão do que significa a luta dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade de São Paulo. Ela é estratégica para evitar a implementação dessa atrocidade no resto do Estado e no Brasil”. “E pra nós é estratégico nos unirmos e derrotarmos esse projeto que só prejudica os trabalhadores e a população”, disse Douglas, que complementou: “A CUT tirou uma resolução de apoio aos servidores e todos os sindicatos filiados à Central, com base em SP, estão junto na luta”. A luta O Fórum das Entidades Sindicais do Sistema de Negociação Permanente, entre elas o Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (SINDSEP), está pedindo uma revisão geral salarial de 10% para os servidores ativos, aposentados e pensionistas, a valorização dos serviços públicos e dos servidores públicos e o incentivo para o desenvolvimento dos profissionais. “A população precisa estar esclarecida que há mais de 20 anos a prefeitura aplica uma reposição da inflação a qual todo mundo tem direito, de 0,01%. Isso significa que todo ano nós temos perda de poder aquisitivo. Então aqui ninguém tá lutando pra ter benefícios, pra ter regalia. Nós estamos lutando pra ter o mínimo de dignidade e ter o direito de aposentadoria segurado”, disse Thiago Cavalo. A professora Elisabete Maciel disse que é um absurdo as mentiras que o prefeito e um segmento da mídia vêm dizendo sobre os servidores. “Eles estão tentando manipular a população contra nós dizendo que os servidores têm privilégios e ganham mais de 10 mil reais. É uma mentira!”. “Eles deveriam tirar os privilégios deles, que têm salários de mais de 30 mil, com auxílio moradia e a gente não tem auxílio algum, pelo contrário. Eu tenho é muito desconto no meu salário! Esse governo é superinjusto e eu só vou conseguir revogar esses 14% na rua, lutando!”, finalizou a professora Elisabete. Várias reuniões entre o movimento grevista, o prefeito e seus representantes já foram cancelas e a justificativa é que eles estão atendendo a população. “E nós somos o que?”, questionou o presidente do SINDSEP, Sérgio Ricardo Antiqueira. “Nós queremos ser ouvidos e dizer que o que fizeram em SP é um atentado contra os direitos”, reforçou Sérgio. Sistema de delação Para colocar medo nos servidores, segundo o presidente do SINDSEP, o prefeito Bruno Covas implantou um sistema de delação na prefeitura e está pedindo para que os trabalhadores que não aderiram à greve anotem os nomes dos colegas e entreguem a ele. “Esse tipo de ação é pra colocar medo nos trabalhadores e nas trabalhadoras e ele [o prefeito] achou que isso ia enfraquecer o movimento, muito pelo contrário disse ele”. Segundo Sérgio, no dia 4 o movimento tinha 20 mil pessoas e nesta quinta (07) mais que dobrou. “Vamos sair daqui mais fortes ainda. Vai ter que atender os servidores que estão aqui pra lutar! Toda vez que não atende, o movimento cresce. Na próxima assembleia, dia 13, vai ficar maior ainda”, afirmou. Logo após a assembleia, os servidores foram em caminhada pelo largo São Francisco, Brigadeiro Faria Lima até a Avenida Paulista, em frente ao MASP. ROBERTO PARIZOTTI    Todo dia é dia de luta  A próxima assembleia será na quarta feira 13/02, na frente da Prefeitura, às 14 horas. Mas, segundo o SINDSEP, até lá os servidores vão continuar a mobilização para ampliar o movimento. Já nesta sexta feira (08) houve atos por toda a cidade para denunciar as intenções da prefeitura de SP e do governo federal, de aprovar uma reforma geral da previdência que ameaça a aposentadoria de todo o povo. Confira os atos regionais convocados para esta sexta (08): Butantã 17h - estação Butantã do Metrô Cachoeirinha 8h -Terminal cachoeirinha  Centro 13h - Estação Vergueiro, Centro Cultural São Paulo Guaianases 10h - estação nova de trem  Jabaquara 7h - Terminal Jabaquara   Mboi 9h - Estrada do Mboi Mirim, 4300 Parelheiros 17h - Terminal Parelheiros  Santana 14h - Estação Santana do Metrô São Mateus 16h - Largo de São Mateus  São Miguel 11h - Praça da Paz com caminhada até Prefeitura Regional Veja a galeria de imagens da Assembleia dos Servidores Públicos Municipais em SP: (Fotos: Roberto Parizotti)



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