Denúncia de sindicatos pode bloquear contas do município de Canindé de São Francisco (SE)

21/12/2017 - 13:39

35 dias de greve não foram suficientes para prefeito regularizar pagamento de salários.

Há 35 dias o município de Canindé do São Francisco está parado. Servidores públicos, enfermeiros, profissionais de todos os ramos cruzaram os braços contra atrasos e irregularidades no pagamento dos salários. Desde o dia 11 de dezembro os professores também entraram em greve fortalecendo a luta. No trigésimo terceiro dia de greve, na terça-feira (19), os servidores públicos municipais fizeram vigília na porta do Fórum de Justiça enquanto o Sindiserve Canindé (Sindicato de Servidores Públicos de Canindé do São Francisco) e o Sintese (professores), filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), participavam de audiência com o representante do Ministério Público.

A gestão municipal não compareceu à audiência e enviou um informe de que pagará o décimo terceiro no dia 29 de dezembro e o salário referente ao mês de dezembro será pago no dia 19 de janeiro. Rosana Menezes dirigente do Sindiserve Canindé alertou que a proposta enviada pelo prefeito infringe tanto o Estatuto dos Servidores como o Estatuto do Magistério, leis conquistadas justamente para evitar atrasos no pagamento de salário e do décimo terceiro. “Vamos ficar em estado de alerta para que tudo o que foi acordado aqui no Ministério Público se cumpra. O promotor de Justiça afirmou que a reivindicação do sindicato tem fundamento legal. Nós ainda vamos elaborar um relatório com todas as irregularidades na folha de pagamento de setembro junto ao magistério, que tem a folha de pagamento de outubro. Devemos nos reunir amanhã (20) para tratar deste assunto”.

Rosana Meneses, dirigente do Sindiserve Canindé, denunciou o gestor municipal Ednaldo Vieira de Barros (Ednaldo da Farmácia) por atraso no pagamento dos salários dos servidores públicos, atraso do décimo terceiro, o descumprimento da lei que estabelece o Plano de Cargos e Carreiras e falta de transparência. “Viemos cobrar uma atitude mais enérgica do Ministério Público. No dia 30 de novembro, tivemos uma audiência com o promotor e já fizemos todas as denúncias que estamos relatando agora. Nossa denúncia não teve o devido respaldo, estamos a um dia do recesso do Judiciário e não podemos aceitar que nada seja feito para pressionar o gestor que não cumpre a lei. Se o gestor recebe o repasse federal da saúde, ele precisa pagar os trabalhadores da saúde, nada justifica o atraso. Pedimos o bloqueio das contas da Prefeitura porque acreditamos que só assim o Prefeito vai deixar de desrespeitar os servidores públicos que fazem o município funcionar”, protestou.

Membro da direção executiva da CUT nacional e dirigente do Sintese, a professora Ângela Melo acompanhou a audiência com o promotor. “Como os servidores denunciam que há uma dívida de passivos trabalhistas, o promotor vai entrar hoje com uma ação para bloqueio das contas. Entendo que a atitude do Ministério Público de entrar com a ação do bloqueio das contas é importante para os trabalhadores. A ação do prefeito de não comparecer à audiência mostra mais uma vez o autoritarismo e o descaso para com os servidores públicos”, avaliou.

Os professores e professoras fizeram assembleia na manhã desta quarta-feira (20) para avaliar os rumos da luta.